"O vinho Português cria riqueza
e postos de trabalho"

Manuel Pinheiro,
Presidente da Comissão de Viticultura
da Região dos Vinhos Verdes

Uma nova estratégia, uma nova imagem, um redobrado sucesso. Os vinhos verdes nacionais são hoje um exemplo de vitalidade dentro e fora de portas, distinguindo-se dos restantes vinhos. O Rotary em Acção entrevistou Manuel Pinheiro, Presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, que explicou quais os segredos do sucesso.

Como estão actualmente os Vinhos Verdes no panorama vinícola em Portugal?
Com 22.000 viticultores e mais de 600 empresas engarrafadoras, a região dos Vinhos Verdes é não só uma grande região Portuguesa mas também europeia. Em Portugal, o mercado é liderado pelos vinhos Alentejanos com 33% de quota, seguidos pelos Vinhos Verdes com cerca de 20%.
Como explica o sucesso destes vinhos e o facto de terem aumentado a sua produção nos últimos anos, contrariando a tendência do sector?
O Vinho Verde é distinto dos restantes vinhos. É um vinho leve, jovem e fresco. Estas características, que advém do nosso clima, dos solos e das castas de videira fazem com que este vinho tenha um lugar próprio na mente do consumidor. Na ex- portação passa-se o mesmo: num mundo em que imperam sobretudo os vinhos tintos, com muito álcool e madeira, o Vinho Verde aparece como algo de distinto. É um vinho muito de acordo com a gastronomia do nosso tempo, bem mais leve do que era no passado.
A Comissão a que preside fez um grande investimento recentemente na promoção. Quais os principais objectivos e resultados deste investimento?
O nosso investimento promocional está muito focado nos mercados externos. Portugal não cresce, aliás decresce. O nosso país consome menos vinho e consome sobretudo vinhos mais baratos. Estamos pois a investir na promoção do Vinho Verde em alguns mercados de exportação, como os EUA, o Canadá, a Alemanha, onde estamos a crescer e onde identificamos oportunidades de negócio para o Vinho Verde.
Que pontos positivos e negativos destaca no sector a que se dedica?
O vinho português cria riqueza e postos de trabalho no interior, em locais onde não existe outro instrumento de fixação das populações. É ambientalmente responsável e é fortemente exportador. À luz disto, é com mágoa que vemos alguma vozes críticas contra o vinho.
Defende a união dos produtores em detrimento da criação de novas marcas. Qual é a realidade actual?
Defendemos a união ou pelo menos a partilha de custos entre agentes de toda a fileira. Os produtores têm muito a ganhar em escala, o mesmo se passando nas adegas e na área comercial. Há uma enorme concentração na distribuição e uma enor- me exigência de escala e profissionalismo na exportação Quem se opõe a isto simplesmente fará um tremendo esforço inglório. A realidade actual está muito longe disto.
Organizações como o Rotary podem ter um papel importante na promoção e divulgação deste importante produto nacional? De que forma?
Muito importante. O vinho hoje não é apenas uma bebida quotidiana. É sobretudo um produto da nossa cultura que precisa de ser conhecido em toda a sua riqueza e diversidade, Conhecer o vinho e descobrir toda a sua diversidade é também respeitar a bebida alcoólica, a ser consumida com responsabilidade. O Rotary pode ter, e tem sido, um papel importyantissimo nesta formação dos nossos concidadão para esta forma de conhecer o vinho.