Dia Internacional da Erradicação da Pobreza
Em cada 3,5 segundos alguém morre à fome
De acordo com um estudo recente efectuado pelo Banco Mundial, o número de pobres no Mundo ronda os 1,4 mil milhões de pessoas. Este valor representa 25 por cento da população dos países em desenvolvimento ou 20 por cento da população mundial. Relativamente aos dados divulgados em 2005 pela Instituição, houve uma revisão substancial (mais de 40%), confrontando os dados actuais com os cerca de 930 milhões divulgados nesse ano.
São três milhões o número de pessoas que anualmente engrossa o total de seres humanos que vive em extrema pobreza no mundo. Um número que se tem repetido anualmente na última década e que em 2007 atingia 421 milhões de seres humanos do planeta, segundo o estudo das Nações Unidas “Rumo a uma Nova Arquitectura Internacional do Desenvolvimento para os PMAs” (Países Menos Avançados).
O relatório faz um balanço de 10 anos de evolução dos 49 países considerados como os mais pobres do mundo, entre os quais estão incluídos Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A maioria dos países considerados como os mais pobres do mundo apresentam Índices de Desenvolvimento Humano muito baixos.
Os números, incluídos no relatório de 2010 da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCED) sobre os países mais pobres do mundo, mostram que o total dos que vivem em extrema pobreza em 2007 representa o dobro do total registado em 1980.
A maior parte dos países pobres do mundo está em África, segundo o estudo divulgado de 10 em 10 anos pelas Nações Unidas, que considera que os períodos de grande crescimento económico pouco contribuíram para a melhoria dos padrões de vida da população.
O estudo sugere que os 49 países mais pobre do mundo invistam na modernização e diversificação das suas economias, com vista a reduzirem a pobreza de forma sustentável, depois de considerar como “motivo de preocupação” as perspectivas de médio prazo dos PMAs.
Dia 17 de Outubro comemora-se o Dia Internacional de Erradicação da Pobreza e o Rotary faz questão de assinalar esta data. Diariamente morrem milhares de pessoas por não terem com que se alimentar. Homens, mulheres e acima de tudo crianças morrem no meio de uma pobreza extrema. É importante conhecermos os números, enfrentarmos a realidade, mas mais importante é saber o que fazer para contribuir para a erradicação da pobreza. O Rotary tem vários planos em acção, ao qual todos se podem aliar e contribuir das mais diferentes formas. A alfabetização está também no centro das acções do Rotary, por se tratar de uma das questões que mais contribui para a erradicação da pobreza, e por isso é também importante analisar as acções neste campo. Segundo dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, bastaria 1 por cento do rendimento mundial para cobrir todo o custo da erradicação da pobreza material do mundo.
Não é fácil calcular o valor necessário para colmatar todas estas dificuldades. No entanto, algumas comparações são possíveis: O efectivo alívio da dívida dos 20 países mais pobres do mundo custaria 5,5 bilhões de dólares, o equivalente ao custo da construção da Euro Disney; o fornecimento de educação básica para todos custa menos do que se gasta com o consumo de gelados na Europa.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento aponta algumas causas que “dificultam a recuperação dos pobres: A ausência de ordenamento do território, a existência de aglomerados populacionais informais, a má qualidade da habitação, a falta de estradas, as ligações ilegais às redes de abastecimento de electricidade, a inexistência de seguros, a falta de educação e informação”.
O PNUD apontou, também, algumas medidas que deveriam ser implantadas: 1ª - Combate ao analfabetismo; 2ª - Aumento da capacidade de emprego; 3ª -Prestação de assistência sanitária; 4ª - Criação de grupos de mediação constituídos de cidadãos; 5ª - Financiamento do investimento social através da emissão de obrigações municipais e mecanismos de reembolso previamente estabelecidos; 6ª - Recuperação das zonas degradadas das cidades; 7ª - Definição de uma abordagem participativa; 8ª - Introdução de impostos simbólicos de reduzido valor, destinados ao financiamento da solidariedade internacional.
Falta de água e subnutrição
O Fórum da Aliança Mundial das Cidades Contra a Pobreza - AMCCP -, criada no início da Década das Nações Unidas para a Erradicação da Pobreza (1997 a 2006), lembra que “desde 1960, a taxa de mortalidade infantil nos países em vias de desenvolvimento foi reduzida em mais da metade. Nos últimos 50 anos, a pobreza diminuiu mais rapidamente do que nos 500 anos precedentes. Alcançaram-se mais ganhos nos países em vias de desenvolvimento nos últimos 30 anos do que no mundo industrializado”. No entanto, muito trabalho há ainda pela frente. Nos países em vias de desenvolvimento, mais de um bilhão de pessoas carecem de habitação adequada e estima-se que 100 milhões estejam sem abrigo; mais de 840 milhões de adultos são analfabetos e destes, 538 milhões são mulheres, praticamente dois terços dos analfabetos adultos; um quinto da população destes países não têm expectativa de vida além dos 40 anos de idade e meio milhão de mulheres morrem, anualmente, durante o parto, um índice 10 a 100 vezes mais elevado do que nos países industrializados. As mulheres e os seus dependentes constituem 80 por cento dos 18 milhões de refugiados em todo o mundo. Nos países industrializados, mais de 100 milhões de pessoas vivem abaixo do nível de rendimento da pobreza; mais de cinco milhões não têm abrigo e 37 milhões são desempregados.
Quanto às crianças, 160 milhões são moderada ou severamente subnutridas e 110 milhões delas não recebem educação primária. Cerca de 1 bilhão e 200 milhões não têm acesso a água potável e, a cada ano, sete milhões morrem de doenças contagiosas curáveis e parasitárias.
A Fome no Mundo
- 840 milhões de pessoas sofrem de subnutrição crónica.
- Entre elas, 200 milhões de crianças menores de cinco anos padecem de deficiência aguda e crónica de proteínas e energia.
- Nas últimas 3 décadas, a nível mundial, a produção de alimentos aumentou a um ritmo mais rápido do que a população. No entanto, no mundo em desenvolvimento, só uma em cada cinco pessoas tem acesso ao mínimo necessário para satisfazer as suas necessidades alimentícias básicas.
- 20 mil morrem por dia de fome



