Entrevista a Diamantino Gomes,
Presidente do CA da FRP
“Rotary é continuidade mas também mudança”
O arranque do ano rotário 2011/2012, o programa de acção para os próximos três anos e o novo Regulamento de Candidatura a Projectos de Apoio da Fundação Rotária Portuguesa (FRP) constituíram o ponto de partida para a conversa que o “Rotary em Acção” teve com José Diamantino Martins Gomes, presidente do Conselho de Administração da Fundação Rotária Portuguesa no próximo triénio, que tomou posse em Julho. O objectivo da conversa é, não só, contribuir para o melhor entendimento da acção da Fundação, mas também, perceber o que Diamantino Gomes pensa do movimento rotário e o que perspectiva ser a acção da instituição para os próximos meses. Diamantino Gomes, rotário experiente, que foi governador do Distrito 1970 no ano de 2004/2005, e no último ano rotário vice-presidente da FRP, conheceu o movimento em Luanda, onde foi bolseiro do RC Luanda (1963 a 1975). A caminhada rotária iniciou-a ao integrar o núcleo fundador do Rotaract Club de Luanda, em 1970 e percorreu-a até chegar em 1986 ao RC Senhora da Hora com a classificação de Cirurgia Geral Oncologia. Desde essa data cumpriu com o desempenho de várias funções no movimento rotário que tem na sua génese o lema “Dar de si antes de pensar em si”.
Rotary em Acção (R.A.) – A caminhada rotária que fez levou-o à recente tomada de posse como presidente da FRP. No entanto, passou por diversos cargos rotários, nomeadamente, o de Governador e vice-presidente da fundação, que lhe trouxeram um acumular de experiência e vivência rotária. O que podem esperar os rotários do novo presidente da FRP?
Diamantino Gomes (D.G.) – Como alguém disse, e muito bem, o acumular de experiência crítica por parte do Ser Humano em qualquer matéria ou assunto da Vida, capacita-o para o desempenho das tarefas que lhe compete executar.
O facto ter sido bolseiro de Rotary, e por essa razão ter tido vários contactos desde a minha juventude com a organização da qual fui um dos beneficiários, desde cedo me interessou ir conhecendo o movimento rotário.
O facto de ser rotário há cerca de 25 anos, e de ter sido Vogal do Conselho de Administração da FRP durante cerca de 5 anos, mesmo antes de ter desempenhado o cargo de Governador do Distrito 1970 deram-nos, sem sombra de dúvida, um capital de conhecimento sobre o Rotary em Portugal, que certamente nos ajudará a desempenhar melhor o cargo de Presidente da FRP. Nessa medida, e baseado em todo esse conhecimento iremos procurar trabalhar, tal como o temos feito até aqui, com dedicação, empenho, serenidade e sobretudo o maior respeito pelo espírito dos fundadores da FRP, e pelo trabalho de todos os rotários que nos clubes do nosso País amam a Fundação Rotária Portuguesa, e vivem Rotary de uma maneira dedicada interpretando como exemplos vivos do verdadeiro Ideal de Servir.
R.A. – Já delineou um programa de acção para os próximos três anos? O que é que vai mudar na actuação do CA da FRP
D.G. – Rotary é continuidade mas também mudança. Continuidade na acção e no espírito de serviço. Embora sendo Rotary uma organização centenária, como organização viva que é, o movimento vai- se adaptando às circunstâncias do tempo e da sociedade. A Fundação Rotária Portuguesa fazendo parte de Rotary, e sendo constituída e dirigida por rotários também soube ao longo dos seus 52 anos de existência, ir adaptando-se à evolução da sociedade portuguesa. E foram vários os sinais dessa adaptação. Podermos alterar a forma de executar os programas da FRP, mas o espírito e os objectivos da FRP mantêm-se os mesmos, porque a eles estamos estatutariamente comprometidos.
R.A. – No anterior mandato foi lançado um modelo estratégico que resultou no novo Regulamento de Candidatura a Projectos de Apoio da FRP. Os clubes têm estado a aderir, mas ainda com expressão pouco elevada. Que táctica tem pensado para atrair os clubes para esta nova estratégia de apoio?
D.G. – Apesar de as circunstâncias sociais e económicas da nossa sociedade serem desfavoráveis, o sistema educativo em Portugal evoluiu no bom sentido. O ensino é obrigatório e acessível a todos os jovens, de modo muito diferente do que era na última metade do séc. XX. E nesta primeira década do séc. XXI as alterações no sistema educativo foram muito positivas e significativas.
Em contrapartida as condições sociais e económicas das famílias portuguesas pioram, por razões por demais conhecidas.
O Conselho de Administração da FRP, atento à sociedade e sobretudo às aspirações dos clubes e dos rotários de Portugal, fez uma reflexão sobre isso, e elaborou uma nova estratégia de acção, elaborando um novo Regulamento de Candidatura a Projectos de Apoio da FRP. Esse regulamento foi enviado para todos os clubes para reflexão e discussão, sendo aprovado em Assembleia de Representante em Fátima em 17 de Outubro de 2009. Registamos que existe ainda algum deficit de conhecimento e falta de informação em muitos rotários de vários clubes.
Para ultrapassar essa falta de informação, e esclarecer com os companheiros interessados a forma de se envolverem mais com a FRP utilizando os diversos programas e recursos da Fundação para apoio dos projectos e programas dos clubes, iniciámos no passado ano rotário os Encontros sobre FRP reunindo os Representantes de vários clubes de determinada zona, aproveitando a reunião normal de um desses clubes. Iremos continuar com essa acção presencial nos clubes, mas iremos continuar a utilizar, de forma mais intensa, os mecanismos próprios de comunicação da FRP com os clubes.
Também estamos a sensibilizar e a procurar envolver de modo regular, todos os Past-Governadores e ex-Administradores, que tendo um capital de experiência e informação relativamente à FRP, sejam os arautos do reforço de ligação dos clubes com nossa Fundação.
R.A. – As reuniões descentralizadas do Conselho de Administração da FRP tiveram sucesso no anterior mandato. Vai dar continuidade a esta forma de interacção com os clubes?
D.G. – Naturalmente que sim, e a próxima vai ser no Algarve. Procuramos que sejam o mais excêntricas possíveis relativamente à sede da FRP. O que é difícil é compatibilizar as disponibilidades de tempo dos diversos Administradores, a começar por mim próprio, com as deslocações e a logística inerente a essas reuniões.

