Vinho do Porto
Exemplo de dedicação e profissionalismo
A especial importância do vinho do Porto no contexto da economia nacional e o prestígio internacionalmente granjeado pela qualidade e genuinidade deste produto fazem com que não seja fácil falar de vinho do Porto. Uma das maiores riquezas nacionais, importante para a sobrevivência de muitas comunidades, é imagem do nosso país no estrangeiro e garantia de enriquecimento do PIB dentro de portas. Só em 2009, as vendas ao estrangeiro ascenderam a 8 milhões de caixas, representando uma receita de 301 milhões de euros.
O Vinho do Porto derivou de um acidente enológico do qual resultaram mudanças substanciais no habitual processo de elaboração dos vinhos do Douro, nascendo assim um generoso com características perfeitas. A designação de "Vinho do Porto" só surge por volta da segunda metade do séc. XVII, perante uma necessidade comercial exportadora. Os Ingleses e os Flamengos eram os seus maiores clientes.
No ano pombalino de 1756, reorganizou-se a economia portuguesa, instituiu-se a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro e, em 1757, o Marquês de Pombal mandou delimitar as melhores áreas de produção de vinho do Vale do Douro, com sólidos marcos de granito, os Marcos de Feitoria. Surgia, assim, a 1ª Região Demarcada.
Em 1926 houve necessidade de se criar o Entreposto de Vila Nova de Gaia que passou a funcionar como extensão da região demarcada e como local de armazenamento da maioria das empresas exportadoras. Em 1933 foi criado o Instituto do Vinho do Porto, em simultâneo com a Casa do Douro e o Grémio de Exportadores do Vinho do Porto.
Os vinhedos que dão origem ao Vinho do Porto situam-se nas encostas abruptas e grandiosas do Rio Douro e dos seus afluentes. O arroteamento, terraceamento e fertilização, processo indispensável à instalação da cultura da vinha, originou uma paisagem deslumbrante, de características ímpares.
Quando chega a Primavera, grande parte do vinho novo é transportado, do vale do Douro até às centenárias caves de Vila Nova de Gaia, onde a partir do séc. XVIII se começaram a construir os armazéns dos primeiros comerciantes. Aqui vai envelhecer durante largos anos, desenvolvendo e reforçando as suas qualidades naturais, após o que é graduado e lotado.
Não se sabe com rigor onde começa a história do Vinho do Porto. Os conhecimentos dos frades de Cluny, o trabalho dos portugueses e a veia comercial dos ingleses terão feito o conjunto que deu origem ao Vinho do Porto. É conhecido internacionalmente como o néctar dos deuses. O seu paladar suave, encorpado e doce é a bebida escolhida para apadrinhar as mais diversas comemorações, não faltando em nenhuma casa portuense.
Para que às nossas casas chegue o néctar dos Deuses é necessário que a natureza e o Homem reúnam esforços e aproveitem sinergias. Essa é a base do cultivo do Vinho do Porto, onde o solo, o clima, a natureza em si, colaboram com lavradores e assalariados para que seja possível a criação deste "Vinho Fino".
A Região Demarcada é única no mundo devido às suas características especificas, o que faz com que este vinho não possa ser cultivado noutro solo, provindo deste factor o seu tão apreciado paladar e o seu tão "apreciado" comércio. A região do Douro pertence à formação geológica denominada de Complexo Xisto - Grauváquico. Nesta região o solo apresenta três classes dominantes de texturas sendo elas: a franco-arenosa, a franca e a franco-limosa. Outra das componentes deste solo são as pedras e o cascalho que se revestem de grande importância para a instalação e o cultivo da vinha, uma vez que permitem uma maior fixação e penetração das raízes facilitando a absorção da agua e seus nutrientes, bem como a absorção da energia radiante, protegendo por seu fim ultimo os solos dos efeitos da erosão torrencial.
O clima da região é também um dos factores preponderantes para a produção deste cobiçado liquido, reconhecendo-se três vertentes climáticas diferentes partindo de jusante para montante do Douro, sendo elas do tipo Atlântico, Atlântico-Mediterrâneo e Mediterrâneo.
É neste contexto que se obtêm as castas que poderão ser brancas ou tintas. Dentro destes grupos há uma grande diversidade de castas todas elas denominadas consoante a cor da casta a que pertencem. Assim na classe das castas brancas temos as denominações Codega, Gouveio, Malvasia Fina, Malvasia Rei e Rabigato e dentro das tintas as denominações Malvasia Preta, Mourisco Tinto, tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinto Cão, Tinta Roriz, Touriga Francesa e Touriga Nacional.
O Transporte
O transporte inicia-se no fim do ano da colheita ou principio do ano seguinte. Até 1965 o transporte dos vinhos do Douro era feito pelos barcos rabelos que haviam sido construídos com características especificas para aguentar as difíceis condições de navegabilidade do rio.
Antigamente, as pipas eram conduzidas em carros de bois até à margem do rio e depois transportadas nos Rabelos até aos entrepostos em Vila Nova de Gaia, o que trazia grandes dificuldades aos barqueiros. Os Rabelos são canoas de tábuas de fundo chato e sem quilha, tendo as peças de reforço de proa e popa cobertas pelo tabuado. Do seu estrado à proa manejavam-se os dois remos dianteiros. A zona de carga, era o local onde se dispunham as pipas topo a topo, sobre as cavernas, em filas longitudinais acrescidas de várias camadas sobrepostas que se estendiam às apegadas. A ponte sobreelevada numa da extremidades servia para manobrar o remo do governo. Nesta zona estava também situado o mastro, que só era montado nas viagens ascendentes, dado o regime dos ventos do rio. A decoração destes barcos era simples, destacavam-se a proa e o rabo, a haste e a pá da espadela com cores simples ( pós misturados no pez louro com que embreavam por fora), mais tardes começaram a aparecer os bordados e o nome do santo protector que também começou a figurar nas embarcações.
A partir de 1965, esse transporte passou a ser realizado mais rapidamente por via ferroviária ou rodoviária. Actualmente o transporte é feito em camiões-tanque segundo regulamentos muito rígidos
Os Clubes Rotários e o Vinho do Porto
O Rotary em Acção foi ouvir os Clubes Rotários de terras do Douro, onde o Vinho do Porto é a actividade principal. De Rui Taborda, do Rotary Club de Lamego, tivemos um testemunho que demonstra de forma inequívoca a importância do "néctar dos deuses" e o trabalho dos clubes rotários: "Algo maravilhoso surge quando se crava uma planta na terra e se conjugam, ao longo do seu crescimento, os sonhos, o tempo, o saber e o suor dos homens com os elementos da natureza e o calor do sol. Antigamente, a esse processo admirável seguia-se um outro, quase poético. Era o tempo das rogas, dos cestos de vime, do ralador manual, dos carros de bois e das lagaradas. Quantos não lembram com saudade as lagaradas? Abraçados uns aos outros, os homens encostavam-se à pedra do lagar para, à voz do mandante e até ao grito de "liberdade", pisarem de forma ordenada e cadenciada as uvas. "Liberdade" era a voz para desfazer o abraço e ir até à beira do lagar pegar uma posta de bacalhau, um pouco de água pé e, ao som da concertina, que só a partir desta altura podia tocar, continuar a pisar, deambulando por toda a área sem esquecer nunca de levantar bem as pernas. Um copo de vinho condensa em si toda esta epopeia.
OOs clubes Rotários de Lamego e Régua, através dos seus almoços e jantares, onde participam numerosos convidados e alguns produtores, têm contribuído para a promoção e dignificação deste néctar dos deuses. Soma-se a estas ocasiões, as conferências sobre este tema, abertas ao público, que por exemplo o clube de Lamego tem organizado.
OContribuímos desta forma para que quem nos visita parta conhecendo o trabalho, a ciência e as forças da natureza que é necessário reunir e coordenar para, de uma simples uva, extrair o leque de aromas, a panóplia de sabores e a infinidade de sensações que um vinho pode transmitir".



