Entrevistas sobre o 106º Aniversário do
Rotary International

Alberto Maia e Costa, RC Cascais-Estoril Presidente do Conselho Superior da Fundação Rotária Portuguesa

"O Rotário deverá, cada vez mais, ser um cidadão exigente, disponível e exemplar na sua comunidade"

Como vê o Rotary hoje em função da sua história e dos princípios que estiveram na sua origem?

O Rotary Internacional, constituído em 1905, nos EUA, em Chicago, teve a sua origem para dar resposta a problemas de homens com profissões diversas, que se sentiam sós numa grande cidade. O que sentiam era o seu isolamento individual no meio de uma multidão.

Eram poucos os fundadores e levaram para as reuniões os seus valores de dignidade, ética profissional, respeito e solidariedade. Não foi preciso serem ricos ou pertencerem às classes mais elevadas.

Deram-se conta que cada um podia dar ao "companheiro" um pouco de si próprio em troca de uma boa relação, de algum companheirismo e até de um começo de amizade. Porque houve aceitação mútua, verificaram que podiam fazer alguma coisa pelos outros. E começaram por uma pequena obra para a comunidade. Umas instalações sanitárias! Mas não pensemos que o início do movimento era apenas de altruísmo. Não. O princípio era de benefício mútuo. Ajuda entre os companheiros que se reuniam em casa de cada um e rotativamente. Isto é, o dar entendia-se logo com um sentido de todos participarem. Sentido de justiça e de equidade.

Com o êxito que tiveram as reuniões, organizaram-se em clube primeiro e depois em clubes, quando houve outros homens que aderiram ao movimento de entre-ajuda de profissionais dignos e de qualidade cívica e moral.

E deixaram de caber nos EUA e foram até ao Canadá e depois até à Europa e sucessivamente e imparavelmente para todo o Mundo.

Porque Paul Harris e seus amigos tiveram tanto êxito?

Por praticarem as boas normas de associação entre os homens, dentro da igualdade, dignidade e sentido do dever para com o companheiro, que queriam fazer amigo. O homem dignifica-se servindo. O DEVER DE SERVIR foi a grande filosofia do movimento.

"MAIS SE DIGNIFICA QUEM MELHOR SERVE"

O Rotary Internacional conseguiu o mundo, por ter ido ao encontro dos que gostam de servir, sem se servir. E fê-lo com humildade, não pretendendo ser o melhor dentro dos melhores. Só é melhor na sua qualidade humana.

Por vezes esquecemos que somos uma grande organização. De outra forma não atingiríamos a quase perfeição de estarmos em todo o lado servindo, sem outra recompensa que não o de se satisfazer no íntimo de cada um de nós.

Sem esta capacidade de "dar de si antes de pensar em si", nada seríamos. Rotary não é sacrifício é realização do Homem.

Na sua opinião, o que podem os rotários empreender para fazer deste um movimento cada vez melhor?

O Rotary Internacional tem vindo a desenvolver-se por todo o mundo, nas democracias, atingindo todos os países e regiões onde os direitos individuais não sofrem contestação. O Rotário deverá, cada vez mais, ser um cidadão exigente, disponível e exemplar na sua comunidade. Deve colaborar no desenvolvimento e apoio da relação de vizinhança, a fim de que o cidadão sinta que pode recorrer ao rotário para uma ajuda que necessita e que sabe que lhe é dada desinteressadamente.

Todavia, quanto mais o movimento rotário se alarga, as possibilidades de apoio não sobem exponencialmente, conforme as necessidades. Há limitações materiais e de voluntarismo que não permitem ir mais além.

Por outro lado a economia e o financiamento dos clubes, no apoio às carências sociais, está a limitar-se, fruto das disponibilidades financeiras de cada rotário. Estas são menores face às exigências do seu nível de vida, que tende para uma igualdade social. Nas regiões onde as populações são mais carentes o Rotary pode, com a disponibilidade que possui, ser mais interveniente e consequentemente mais necessário para a satisfação daquilo que é fundamental.

Pensamos que o Rotary Internacional não poderá continuar a aumentar as suas despesas porquanto as suas receitas não o permitem. Diria que há que simplificar a organização atendendo ao essencial e não dispensar as acções de bem-fazer. Após verificar-se que o número de rotários estabilizou e que a capacidade financeira não pode aumentar mais, deve valer a pena fazer-se um exercício para onde vamos.

Os rotários devem sentir que são capazes de ajudar mas não convém que se sintam frustrados, pois sendo voluntários, saem por não serem mais capazes. O movimento deve melhorar de qualidade da intervenção, diminuindo a quantidade dos sectores de actuação. Há limites!

Como vai este ano assinalar o aniversário do Rotary?

O aniversário de Rotary naquilo que representa uma festa para todos nós, no nosso Distrito, deverá ser algo que nos realize no nosso ideal de servir. É isso que o meu clube, o Rotary Club de Cascais-Estoril, se vai empenhar a favor da Rotary Foundation, contribuindo para o essencial. Aqui o Rotary atinge o seu melhor, que é dar para quem mais precisa de acordo com o seu grande ideal humano. Não precisa nada em troca.








Armindo Andrade, RC Coimbra Secretário do Conselho Superior da Fundação Rotária Portuguesa

"Para mim Rotary faz anos todos os dias"

Como vê o Rotary hoje em função da sua história e dos princípios que estiveram na sua origem?

Entrei em Rotary em Fevereiro de 1983 apadrinhado por um grande rotário e Past-Governador, Dr. Mário Mendes (já falecido) figura destacada da nossa comunidade e um valor cívico e profissional. Antes de ser rotário efectivo participei em algumas reuniões do Rotary Club de Coimbra.

Como observador após esse tirocínio fui questionado sobre o que pensava do que tinha observado e se tinha gostado. Naturalmente que disse que sim e foi-me formulado o convite para entrar em Rotary. Entregaram-me diversa literatura sobre o movimento que me permitiu ficar a conhecer melhor o que era Rotary e as obrigações dos seus membros perante. Como seja. Valor das quotas, frequência semanal, participação voluntária e risonha nas actividades do clube.

O que mais me impressionou ao iniciar as actividades semanais foram os rituais feitos com seriedade por qualquer dos membros e que eram e são os seguintes: Saudação às Bandeiras Nacional, Rotária e da cidade; Apresentação Rotária; Secretaria; Intervenão do presidente; Informação Rotária; Curiosidades e Comunicações; palestra no caso de haver; comentário da mesma. Antes de terminar a reunião havia sempre um comentário à sessão por um companheiro previamente convidado para a realização dessa tarefa. Foi assim durante muitos anos sempre com satisfação dos participantes que eram e são das mais diversas profissões.

As reuniões semanais abordavam os mais diversos temas tanto locais como nacionais e internacionais com toda a abertura. Havia intercâmbio entre clubes recebíamos a visita de companheiros etc.

Foi assim que entrei em Rotary e senti que mais do que antes de entrar devia dar mais de mim do que esperar tirar benefícios por lidar com os mais conceituados profissionais da minha comunidade.

A troca de ideias e dos conceitos sobre a vida melhoraram no sentido de que deveríamos considerar que SER era mais importante do que TER. Houve um ilustre companheiro que disse quando lhe perguntaram como era o companheiro Armindo como rotário e ele respondeu: é um ortodoxo. Fui e ainda sou por isso as facilidades introduzidas no movimento causam-me tristeza e preocupação.

Na sua opinião, o que podem os rotários empreender para fazer deste um movimento cada vez melhor?

Na opinião de um rotário que está no movimento há cerca de trinta anos ainda é a mesma que já referi mas com as actualizações do momento que se vive sem perder a matriz original criada por Paul Harris que é ajudar a criar um mundo melhor com a participação moral e profissional inerentes a todos os rotários e com o espírito de DAR DE SI ANTES DE PENSAR EM SI.

Como vai este ano assinalar o aniversário do Rotary?

Para mim Rotary faz anos todos os dias. É assim que diariamente comemoro Rotary participando em diversas actividades de índole social e sendo membro de diversas associações de Solidariadade Social. Vai longa a minha resposta, no entanto muito mais há a dizer porque Rotary não se pode confinar a breves respostas que nem sempre traduzem bem o nosso pensamento mas aproveito para afirmar que as dificuldades que possam haver me incitam a ser cada vez mais e melhor rotário tentando compreender como se desenvolve o movimento e acompanhar a sua evolução aplicando a prova dos nove rotária: A Prova Quadrúpla.








Armindo Carolino, Governador do Distrito 1970

"Não nos podemos esquecer que temos uma excelente Fundação Rotária em Portugal"

Como vê o Rotary hoje em função da sua história e dos princípios que estiveram na sua origem?

Como sabemos, Rotary foi fundado há 106 anos por Paul Harris e um grupo de amigos, numa génese de companheirismo e para responder a uma falta de diálogo e entendimento entre as pessoas. Baseou a estrutura de Rotary nas profissões e daí cada um de nós ter uma classificação rotária de acordo com a profissão de cada um. O companheirismo, a oportunidade de servir, a difusão da ética profissional, são as bases do movimento, sempre com uma componente de acção virada para a comunidade.

Esta acaba por ter outra expressão quando em 1917 é fundada a Rotary Foundation, sendo que o realce do movimento nos nossos dias é o combate à poliomielite. É também por isso que o presidente de Rotary Internacional está a associar as comemorações do aniversário às comemorações dos resultados da luta. No dia 23, em todas as bolsas da América do Norte e da Europa tocar-se-ão os sinos pelo êxito da luta contra a Polio, sendo que em Lisboa o presidente de RI delegou a sua representação no PG Henrique Pinto.

Na sua opinião, o que podem os rotários empreender para fazer deste um movimento cada vez melhor?

Se compararmos a realidade de 1905 com a realidade de hoje não têm nada a ver uma com a outra, nomeadamente no que diz respeito à globalização e às novas tecnologias que estão à nossa disposição. Rotary Internacional chega muito mais facilmente até nós e as circunstâncias são diferentes. Daí que o próprio Rotary tenha lançado um novo projecto através dos programas piloto, nomeadamente do "associado adjunto", do "associado corporativo", do "clube satélite" e do "inovação e flexibilidade".

O Rotary tem que definitivamente virar-se para as novas gerações: há mais de 20 anos que temos um milhão e duzentos mil sócios e não passamos dai. Rotary tem que inovar e esta "inovação e flexibilidade" aponta para o recrutamento de novas gerações. Não nos podemos esquecer que o segundo século de Rotary está nas mãos das novas gerações, que devem ser para nós um campo de recrutamento especial.

A juventude actual tem valores e está ávida de prestar serviço. Se conseguirmos dosear inovação e flexibilidade com a experiência dos rotários mais antigos, conseguiremos um Distrito muito forte. Enquanto neste momento o nosso nível de exigência aponta muito para a reunião semanal e para a assiduidade, temos que começar a pensar se não será melhor colocar em primeiro lugar o comprometimento nos associados, com destaque para a acção na comunidade e à realização de projectos com visibilidade e sustentabilidade.

Penso que o projecto de inovação e flexibilidade como programa piloto aponta neste sentido, como aponta também no sentido de actualizar a linguagem rotária, de mexer nas exigências das pessoas que vão ser admitidas e sobretudo na criação de líderes. Não há clube ou distrito que singre em Rotary se não tiver liderança, é preciso descobrir onde estão os líderes, que os formemos e responsabilizemos por essa mais-valia, no sentido de todos os clubes não terem os constrangimentos que hoje estamos a atravessar. Quando chega o momento de elegermos novos dirigentes, nomeadamente presidentes de clubes, há muitos problemas numa percentagem demasiado elevada de clubes do Distrito. Isto é um sintoma por termos descurado nos últimos anos na formação de líderes.

Devemos também fazer um esforço para divulgar as nossas actividades, que são muitas e válidas, na comunicação social. Não nos podemos esquecer que temos uma excelente Fundação Rotária em Portugal, a maior instituição no que diz respeito a bolsas de estudo. É um valor inestimável, pese embora o que possa ter que ser emendado, tem um trabalho que deve ser sempre reconhecido.

Entendo que os Governadores Assistentes têm que ser cada vez mais chamados a actuar junto dos clubes que estão na sua alçada. O trabalho desenvolvido pelos meus Governadores e pelas minhas Governadoras foi espectacular. Quero sobretudo dizer que os encontros periódicos de formação de Governadores Assistentes foram jornadas e eventos muito bons e pena foi que nem todos pudessem ter tido possibilidade de estarem presentes porque a sua influência na vida interna dos clubes, o apoio, o esclarecimento, pode ser a solução e evita muitos problemas no futuro.

Como vai este ano assinalar o aniversário do Rotary?

Deleguei no nosso PG Henrique Pinto a minha representação na cerimónia da bolsa de valores de Lisboa, sendo que também é representante do Presidente de RI. Irei celebrar o aniversário de Rotary em primeiro lugar interiormente, pela satisfação que sinto por ter sido escolhido pelos meus companheiros para durante este ano exercer as funções de Governador. Em segundo lugar irei fazer a Visita Oficial do Governador ao Rotary Club de Oliveira de Azeméis.

No mesmo dia este Clube também comemora o seu aniversário, sendo esta uma terceira forma de comemoração. Em quarto lugar, assinalo com a distribuição da minha carta mensal de Fevereiro por todos os clubes do Distrito.








Joaquim Esperança, Governador do Distrito 1960

"O Rotary teve um desenvolvimento invulgar em todo o mundo"

Como vê o Rotary hoje em função da sua história e dos princípios que estiveram na sua origem?

Em primeiro lugar felicito, a título póstumo, Paul Harris, por ter sido o fundador da maior Organização Mundial sem fins lucrativos, para servir a Humanidade, e pelo poder de galvanização que teve nessa altura, em se rodear de Bons Amigos, para que com a sua capacidade de liderança e de inteligência impar, querer fazer bem à humanidade, conseguiu dar corpo a um movimento que jamais terá fim.

Em segundo lugar, graças a todos os Homens e Mulheres de Boa Vontade em servir e em ajudar os que mais precisam da nossa ajuda, o Rotary teve um desenvolvimento invulgar em todo o mundo, só porque neste mundo incrível em que vivemos, há muita gente boa.

Na sua opinião, o que podem os rotários empreender para fazer deste um movimento cada vez melhor?

Nada mais que ser dotado de uma entrega total para ajudar o próximo e partindo de si influenciar todos e todas aqueles que no seu entendimento são dotados de bom coração para servir, dando de si antes de pensar em si.

Como vai este ano assinalar o aniversário do Rotary?

Dando-lhe a maior visibilidade possível a fim de mostrar aos Rotários e não Rotários que, depois de passados 106 anos, o Rotary continua a ser a maior Organização do Mundo para fazer bem á Humanidade e muito especialmente em conjunto com a UNICEF, pretender pôr termo a uma malvada doença, a Poliomielite, que mata tantas crianças em todo o Mundo.

Servir em Rotary é ajudar, por vezes com sacrifício, todos aqueles que carecem da nossa ajuda. Estamos a ter progressos muito significativos, graças á boa vontade das pessoas.