Entrevista com Vitor Samuel Leite Fernandes
Entrevistámos Vitor Samuel Leite Fernandes, que terminou o curso de Enfermagem em 2009 e que actualmente está a fazer o Mestrado em Ciências Farmacêuticas, distinguido com o Prémio Escolar Casal Melich (para o melhor bolseiro do Distrito Rotário 1960, ano de 2009).
Com esta entrevista concluímos o conjunto de conversas com jovens estudantes que no ano do 50.º aniversário da FRP receberam os Prémios dos Fundadores. Ainda este mês daremos início a novas entrevistas para ouvir os premiados com o Prémio dos Fundadores atribuídos este ano, no 51.º aniversário da FRP.
«Agradeço à Fundação por valorizar o mérito»
Terminamos a publicação de um conjunto de entrevistas aos jovens estudantes que foram distinguidos com os Prémios dos Fundadores (2008/2009). Chegou a vez de Vítor Samuel Leite Fernandes, que actualmente está a fazer o Mestrado em Ciências Farmacêuticas.
Notícias (N.) – O que é que te motivou a seres um bom aluno?
Vítor Fernandes (V.F.) – O facto de gostar de estudar, pela vontade de querer saber mais e aprofundar os conhecimentos sobre determinadas matérias, isso leva a que dedique muitas horas à leitura e recolha de informação em livros e revistas científicas. Quando a aplicação dos conhecimentos adquiridos se reflecte em bons resultados escolares, está talhado um bom aluno. Digamos que é juntar o útil ao agradável. Definindo útil como os conteúdos e matérias de interesse e aquisição pessoal e agradável como o fruto da boa aplicação dos saberes adquiridos ao largo do tempo.
N. – Ficaste surpreendido por teres sido escolhido para receber um prémio de âmbito escolar?
V.F. – De facto não estava à espera. Quando recebi a notícia fiquei muito contente. É bom de vez em quando ser mencionado, funciona como reforço positivo para seguir em frente. E neste aspecto a FRP tem muito valor, e aproveito para agradecer à Fundação por VALORIZAREM O MÉRITO.
N. – Em que medida é que este prémio te ajudou?
V.F. – Este prémio teve um significado pessoal importante. Quanto ao valor monetário posso dizer que fez parte da matrícula do Mestrado, que actualmente, estou a terminar.
N. – Quais as principais dificuldades que tiveste ao passares do Ensino Secundário para a frequência da Escola de Enfermagem?
V.F. – As principais dificuldades foram de comunicação, financeiras e pessoais. Claro que todas elas estão inteiramente relacionadas, representam os vértices de um triângulo com um ponto de interrogação no centro. Quando se aproximou a data das candidaturas e comecei a procurar informação optei por dirigi-me pessoalmente à DREN (Direcção Regional de Educação do Norte), para obter informação sobre as candidaturas e às universidades, para obter informação detalhada sobre os cursos e bolsas. Muitas vezes a maneira como nos transmitem a informação que pedimos deixa algo a desejar e resulta penoso para quem tem que decidir tantas mudanças em tão pouco tempo articular e confrontar essa informação com outra obtida por outras vias. Outra dificuldade que surge é o facto de pensar se se vai poder economicamente levar o curso até ao fim, tendo em conta as despesas de material escolar, de transporte, de alojamento, de sustentação, e o facto de pensar na sobrecarga económica para a família. A novidade que diz respeito a esta transição também vem acompanhada de dúvidas e questões do tipo, «como vou ser recebido?», «como vou ser aceite?», «que pessoas vou conhecer?», «como será a metodologia de ensino na universidade?», «como será a relação de ensino professor/aluno?». Enfim, há um manancial de dúvidas, questões e incertezas que depois tudo se resolve.
N. – Quais são as tuas perspectivas para o futuro?
V.F. – Neste momento tenho alguns projectos pensados, mas dois deles são principais porque afectam a satisfação de necessidades de auto-realização. O primeiro diz respeito à realização de outro curso, cujo período crucial compreende o mês de Maio e os dois seguintes. A actual principal barreira é a informação, por falta ou por ambiguidade, e a orientação para a realização da candidatura. O segundo é a realização do Doutoramento para seguir uma carreira em investigação científica, dando continuidade ao projecto que iniciei com o estudo da vascularização prostática na hiperplasia benigna da próstata, no âmbito do Mestrado. Mas como é necessária dedicação exclusiva para a realização do Doutoramento, este só é viável com uma bolsa de estudo. No princípio de Março solicitei informação à FRP sobre a possibilidade da concessão de uma bolsa e neste momento espero a resposta. Se nenhuma destas duas perspectivas por algum motivo não seguir avante, terei que parar para pensar, assimilar a realidade, reformular alguns conceitos e envergar outros projectos pensados que sem dúvida também são aliciantes. Mas estou confiante, assim como também estou disponível a dialogar sobre estas questões.

