Rotários promoveram
debate sobre interioridade.
Caminhos para o interior em
debate em Mogadouro



No dia 19 de Junho Rotary debateu a questão da Interioridade no Fórum "Quando os desafios são oportunidades". A Casa da Cultura, em Mogadouro, foi o palco escolhido pela organização para receber os vários oradores convidados.

António Morais Machado, presidente da Câmara de Mogadouro, lembrou que "a palavra interioridade tem que se lhe diga, nomeadamente para o concelho". Feliz e honrado por receber os rotários em Mogadouro, mostrou a importância do tema do Fórum lembrando que "não nos faltam infra-estruturas, os equipamentos, as actividades. Falta-nos gente. Por isso quando há eventos como este que trazem pessoas ficamos muito contentes".

Manuel Cordeiro, Governador rotário natural de Mogadouro, justificou a realização do Fórum pelo facto de o "Rotary está atento ao que se passa à sua volta e aos problemas e necessidade das comunidades. E a interioridade cumpre estes requisitos, primeiro porque quem aqui vive tem o direito a ter as mesmas condições de vida, e segundo porque temos que mostrar que viver no interior também tem algumas vantagens".

Turismo e recursos energéticos

Alexandre Parafita, escritor e investigador, falou em Mogadouro sobre turismo cultural e lugares de memória: "O turismo cultural vem-se afirmando cada vez mais no mercado globalizado, reveste-se de dimensões inovadoras de aproveitamento dos lugares de memória, em especial aqueles que se relacionam com os mitos ancestrais do imaginário das comunidades. Daí que o desafio de hoje seja potenciar todo este património como oferta de turismo cultural de qualidade e permitir que o mesmo constitua um forte estímulo para as comunidades, transformando os bens respectivos em factor activo de auto-estima e de defesa da identidade".

Sobre as vantagens dos recursos energéticos falou António Machado Moura, que lamentou a saída de jovens formados para outras paragens porque não encontram no interior condições para exercer a sua profissão. Para o professor catedrático, Mogadouro "é uma zona muito favorável no que diz respeito ao sol, tem médias anuas na casa das 2800 horas, o que aponta para a utilização do sol como uma das fontes de energia a privilegiar.

Há quatro factores que podiam ser considerados: a hídrica de pequena potência, a energia éolica (mesmo não sendo o local ideal), e especialmente a energia solar e a biomassa. Esta última parece-me uma via estratégica para este concelho. Parece ser um caminho a chamar jovens diplomados a ficarem por cá".

Regionalização e Ensino Superior

João Alberto Sobrinho comparou o acesso à Universidade, em tempos, a uma carta de alforria. Justifica assim que Portugal tenha passado de 40 mil para 400 mil alunos. Qualificação e expansão são palavras de ordem para o presidente do Instituto Politécnico de Bragança: "A nossa juventude deve ter uma atitude cada vez mais pró-activa em relação ao mercado de trabalho nacional e internacional. Temos ensino superior a mais, mas a qualificação é muito importante". Sobrinho acredita ainda que ser do interior é ser capaz de resistir às adversidades.

Carlos Brito, ex-Ministro da Defesa e ex-Governador Civil do Porto defende a regionalização como uma das soluções para os problemas do interior. Em Mogadouro começou por dizer que "o Rotary é um exemplo da regionalização: tem dois distritos no país que acabam e começam em Leiria, a divisão natural do país, tudo é diferente para lá de Montejunto-Estrela".

Se, "na história Portugal sempre foi um povo do litoral", Carlos Brito gostari a que o interior "não fosse oco, que tivesse mais gente, e é a isso que se chama desenvolvimento: por um lado a procura da mudança e inovação, por outro lado acabar com a disparidade e promover a igualdade". O ex-Ministro lançou ainda uma questão mas deu a resposta: "Será que o modelo de desenvolvimento do interior deve ser o mesmo do litoral? O que está aqui em causa é apenas o modelo, porque o interior não devia viver no modelo do litoral".