Conferência 64 do distrito 1960 juntou
cerca de 300 pessoas no hotel Golf Mar

Porque tanto na organização mundial como na nacional os rotários têm sempre presente a condição humana, o actual governador do distrito 1960 (nome do núcleo organizativo dos vários Rotary Club que existem desde o Norte até Lisboa), Mário Rebelo promoveu a 64ª conferência no Hotel Golf Mar, em Porto Novo, no passado fim-de-semana, de 21 a 23.

Nas palavras de Waldemar Sá, representante do presidente do Rotary Internacional, a convenção que teve como título: "Rotary e as novas gerações", mostrou que é necessário incutir valores para que no futuro aqueles que hoje são crianças sejam seres humanos com um elevado valor moral e ético, além de bons profissionais naquilo que optarem por fazer na vida.

Rita Nave Pedro, representante distrital de Rotaract (jovens rotários), considerou a conferência "muito importante, porque é a primeira vez que temos na nossa comunidade rotária um debate inteiramente dedicado às novas gerações. Essa ligação promove a partilha de conhecimentos, que junto ao espírito irreverente e empreendedor dos jovens também fomenta o activismo rotary", disse.

David Justino, assessor do presidente da República para as questões sociais, defendeu que "é urgente pensar o futuro", isto porque os portugueses estão absorvidos pelas coisas imediatas, pelas acções e medidas que têm de ser adoptadas pontualmente, pelo que "esquecemos que os mais jovens têm de ser preparados em função daquilo que vai ser a sociedade em 10 a 30 anos".

O assessor do Presidente da República explicou que é no planeamento e na educação cuidada dos mais novos que deveriam estar os objectivos dos actuais adultos: "Nesse sentido, é muito importante ter essa capacidade de pensar e conseguirmos preparar agora o futuro daqueles que estamos a educar".

David Justino advogou que o "futuro não é do Governo, porque esse é limitado" e que o comum do cidadão não pode estar à espera do Estado para que este lhe planeie a vida: "Ou eu consigo arranjar-me ou não terei grandes hipóteses. Anda toda a gente a pensar no hoje e no amanhã, ou seja no efémero. Não pensamos em termos de planeamento, nem daquilo que gostaríamos de fazer ou sonhamos. As pessoas deixaram de sonhar e nem sequer são educadas para isso", concluiu.

O presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional, Francisco Madelino, afirmou que o desemprego aumentou em 15 milhões nos países da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico. Para o dirigente esta é a "reacção que se podia esperar à redução do crescimento económico. Só há emprego quando há empresas e estas com empresários. O Estado pode ajudar, mas tem que existir um equilíbrio". Francisco Madelino disse também que, apesar de existir muitos empresários em Portugal, estes ainda não são em quantidade suficiente e que as "crises devem ser oportunidades", tanto para alertar consciências como para incentivar a população a pensar no próprio emprego, facto que se traduz em casos de sucesso, existindo cerca de três mil pessoas por ano que o fazem tanto provenientes de situações de desemprego como de recém-licenciados.

O dirigente salientou que "tudo o que ligue com novas culturas, turismo, software, tecnologia ou comunicação e maquinaria industrial são clusteres onde todos os dias surgem novas oportunidades. Para criar uma empresa essencialmente são precisas duas coisas: pessoas empreendedoras à procura de um produto que dê dinheiro". Mas também as profissões tradicionais são importantes, pelo que Francisco Madelino afirmou ser necessário que sejam reinventadas e associadas a novos saberes e materiais, ao marketing e ao design. Matérias que implicam novos conhecimentos e formação.

Miguel Martins, director-executivo do Instituto de Empreendedorismo Social, finalizou o debate dando exemplos das novas tendências do empreendedorismo social e de como é possível fazer um bom trabalho na área, matéria que tem colocado Portugal com boas referências a nível internacional.