17 de Outubro, Dia Internacional da
Erradicação da Pobreza
Mais de mil milhões de pessoas estão a passar fome.
Um novo relatório das Nações Unidas sugere que mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo estão a passar fome.
Diariamente morrem milhares de pessoas por não terem com que se alimentar. Homens, mulheres e acima de tudo crianças morrem no meio de uma pobreza extrema, numa realidade que diariamente ignoramos e que muitas vezes está mesmo ao nosso lado. Dia 17 de Outubro comemora-se o Dia Internacional de Erradicação da Pobreza e o Rotary faz questão de assinalar esta data. É importante conhecermos os números, enfrentarmos a realidade, mas mais importante é saber o que fazer para contribuir para a erradicação da pobreza. O Rotary tem vários planos em acção, ao qual todos se podem aliar e contribuir das mais diferentes formas. A alfabetização está também no centro das acções do Rotary, por se tratar de uma das questões que mais contribui para a erradicação da pobreza, e por isso é também importante analisar as acções neste campo.
Segundo dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, bastaria 1 por cento do rendimento mundial para cobrir todo o custo da erradicação da pobreza material do mundo.
O Fórum da Aliança Mundial das Cidades Contra a Pobreza - AMCCP -, criada no início da Década das Nações Unidas para a Erradicação da Pobreza (1997 a 2006), lembra que "desde 1960, a taxa de mortalidade infantil nos países em vias de desenvolvimento foi reduzida em mais da metade. Nos últimos 50 anos, a pobreza diminuiu mais rapidamente do que nos 500 anos precedentes. Alcançaram-se mais ganhos nos países em vias de desenvolvimento nos últimos 30 anos do que no mundo industrializado". No entanto, muito trabalho há ainda pela frente.
Nos países em vias de desenvolvimento, mais de um bilhão de pessoas carecem de habitação adequada e estima-se que 100 milhões estejam sem abrigo; mais de 840 milhões de adultos são analfabetos e destes, 538 milhões são mulheres, praticamente dois terços dos analfabetos adultos; um quinto da população destes países não têm expectativa de vida além dos 40 anos de idade e meio milhão de mulheres morrem, anualmente, durante o parto, um índice 10 a 100 vezes mais elevado do que nos países industrializados. As mulheres e os seus dependentes constituem 80 por cento dos 18 milhões de refugiados em todo o mundo. Nos países industrializados, mais de 100 milhões de pessoas vivem abaixo do nível de rendimento da pobreza; mais de cinco milhões não têm abrigo e 37 milhões são desempregados. Quanto às crianças, 160 milhões são moderada ou severamente subnutridas e 110 milhões delas não recebem educação primária.
Cerca de 1 bilhão e 200 milhões não têm acesso a água potável e, a cada ano, sete milhões morrem de doenças contagiosas curáveis e parasitárias.
Medidas possíveis
Não é fácil calcular o valor necessário para colmatar todas estas dificuldades. No entanto, algumas comparações são possíveis: O efectivo alívio da dívida dos 20 países mais pobres do mundo custaria 5,5 bilhões de dólares, o equivalente ao custo da construção da Euro Disney; o fornecimento de educação básica para todos custa menos do que se gasta com o consumo de gelados na Europa. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento aponta algumas causas que "dificultam a recuperação dos pobres: A ausência de ordenamento do território, a existência de aglomerados populacionais informais, a má qualidade da habitação, a falta de estradas, as ligações ilegais às redes de abastecimento de electricidade, a inexistência de seguros, a falta de educação e informação”.
O PNUD apontou, também, algumas medidas que deveriam ser implantadas: 1ª - Combate ao analfabetismo; 2ª - Aumento da capacidade de emprego; 3ª - Prestação de assistência sanitária; 4ª - Criação de grupos de mediação constituídos de cidadãos; 5ª - Financiamento do investimento social através da emissão de obrigações municipais e mecanismos de reembolso previamente estabelecidos; 6ª - Recuperação das zonas degradadas das cidades; 7ª - Definição de uma abordagem participativa; 8ª - Introdução de impostos simbólicos de reduzido valor, destinados ao financiamento da solidariedade internacional.
Definições e Consequências da Pobreza O que é, onde está, e porque subsiste a pobreza
Carência material, falta de recursos económicos, carência Social. Muitas são as explicações sobre o que é pobreza. A palavra "pobre" veio do latim "pauper", que vem de pau (pequeno) e pario (dou à luz) e originalmente referir-se-ia a terrenos agrícolas ou gado que não produziam o desejado.
Apesar da pobreza mais severa se encontrar nos países subdesenvolvidos esta existe em todas as regiões. Nos países desenvolvidos manifesta-se na existência de sem-abrigo e de subúrbios pobres. A pobreza pode ser absoluta ou relativa. A pobreza absoluta refere-se a um nível que é consistente ao longo do tempo e entre países. O Banco Mundial define a pobreza extrema como viver com menos de 1 dólar por dia e pobreza moderada como viver com entre 1 e 2 dólares por dia. Estima-se que 1 bilhão e 100 milhões de pessoas a nível mundial tenham níveis de consumo inferiores a 1 dólar por dia e que 2 bilhões e 700 milhões tenham um nível inferior a 2 dólares.
A percentagem da população dos países em desenvolvimento a viver na pobreza extrema diminuiu de 28 para 21 por cento entre 1990 e 2001. Essa redução deu-se fundamentalmente na Ásia Oriental e do Sul. Na África sub-saariana o PIB per capita diminuiu 14 por cento e o número de pessoas a viver em pobreza extrema aumentou de 41 para 44 por cento entre 1981 e 2001. Outras regiões conheceram poucas ou nenhumas melhorias.
Outros indicadores relativos à pobreza estão também a melhorar. A esperança de vida aumentou substancialmente nos países em desenvolvimento após a segunda guerra mundial e diminuíram a diferença face aos países desenvolvidos onde o progresso foi menor. Entre 1950 e 1999 a literacia mundial aumentou de 52 para 81 por cento, tendo o crescimento da literacia feminina sido responsável pela maior parte da melhoria.
Causas e consequências da Pobreza
A pobreza não resulta de uma única causa mas de um conjunto de factores: político-legais, económicos, sócio-culturais, naturais, problemas de Saúde, factores históricos ou de insegurança. Muitas das consequências da pobreza são também causas da mesma, criando o ciclo da pobreza: Fome, Baixa esperança de vida, Doenças, Falta de oportunidades de emprego, Carência de água potável e de saneamento, Maiores riscos de instabilidade política e violência, Emigração, Existência de discriminação social contra grupos vulneráveis, Existência de pessoas sem-abrigo, Depressão.
Programas de Rotary para a Alfabetização Pobreza e analfabetismo de mãos dadas
Há dois biliões de pessoas no mundo que não sabem ler, escrever ou fazer operações aritméticas simples. O analfabetismo é a raiz da pobreza, um dos maiores obstáculos para a auto-suficiência económica, e calcula-se que cerca de um terço da população mundial não sabe ler nem possui os conhecimentos aritméticos necessários para manter um emprego ou conseguir outro melhor. É por isso que a alfabetização é um passo essencial na luta contra a pobreza.
No topo das prioridades da alfabetização estão as mulheres, que representam dois terços dos analfabetos do mundo, sendo que nos países subdesenvolvidos, a população feminina não tem ainda acesso à educação. E, de acordo com o pensamento rotário, uma mãe que sabe ler ensina os seus filhos, ajudando assim a romper com o ciclo de pobreza que aprisiona a família.
No entanto, se 90 por cento dos analfabetos de todo o mundo se situam em países em desenvolvimento, também não deixa de ser uma realidade que um terço dos adultos de sociedades desenvolvidas não sabe ler o suficiente para entender receitas médicas ou preencher formulários de pedido de emprego.
O que faz o Rotary
Rotary Clubs de todo o mundo estão empenhados na luta contra o analfabetismo. Já em 1985, o Rotary International havia declarado que a alfabetização básica é uma condição fundamental para alcançar a paz, promovendo por isso vários projectos relacionados com o assunto. E que já deram muitos frutos, sendo que mais de metade dos rotários do mundo estão a apoiar actividades relacionadas com o combate ao analfabetismo, promovendo a educação primária, o ensino profissional, a formação de professores e o ensino a adultos.
Educação Primária:
- Na Tailândia, o Rotary lançou um projecto que reduziu consideravelmente o nível de reprovação escolar. O programa foi de tal forma bem sucedido que acabou por ser adoptado pelo Governo daquele país.
- O Rotary Club de Dhaka, no Bangladesh e o Rotary Club de Footscray, na Austrália, lançaram um projecto que utiliza o comprovado método de alfabetização conhecido como Concentrated Language Encounter nas escolas do ensino básico de Dhaka.
- O Rotary Club de Honolulu-Sunrise, no Havai lançou a campanha “Leia para mim”, utilizando a comunicação social no sentido de incentivar os adultos a ler para os seus filhos.
- Na França, os rotários criaram o Programa de Alfabetização para Crianças Socialmente Deficientes.
- Rotários do Canadá e da Índia estabeleceram o Bombay Pavement College, que alfabetiza e oferece formação profissional a crianças de rua.
Alfabetização de Adultos:
- Nos Estados Unidos, os Rotary Clubs do estado da Geórgia apoiam o Centro de Alfabetização de Adultos Gainsville, pagando o salário dos professores, oferecendo bolsas de estudos e obtendo contribuições das empresas locais.
- Oito Rotary Clubs de El Salvador colaboram com o Ministério Nacional da Educação num programa de cinco anos de duração, que estabelece uma rede de centros de alfabetização onde leccionam alunos de segundo grau de escolas locais
Universidades Seniores
Há mais de mil idosos apoiados pelas Universidades Seniores, patrocinadas por Clubes Rotários Portugueses. São mais de 150 professores que disponibilizam, todos os anos gratuitamente, mais de 20 mil horas do seu trabalho em prol dos mais idosos nas suas comunidades.
Esta é uma das melhores terapias para combater o isolamento e a solidão que hoje afligem milhões de pessoas.
A educação para o futuro
Alguns Programas Educacionais do Rotary:
IGE (Intercâmbio de Grupos de Estudo) – Programa que financia a viagem de equipas integradas por não rotários, com as mais variadas profissões. Desde 1965, cerca de 46 mil pessoas de mais de 100 países participaram no programa, com um custo superior a 64 milhões de euros.
Bolsas educacionais da Rotary Foundation – É um dos maiores programas de bolsas internacionais no mundo, ao conceder aos beneficiários oportunidades para empreender estudos no exterior e actuar como “embaixadores da boa vontade”. Desde o seu lançamento em 1947, mais de 36 mil estudantes de cerca de 110 países receberam estas bolsas, o que representa um investimento aproximado de 340 milhões de euros.
Subsídios Rotary para Professores Universitários – São concedidos a professores de nível superior para que leccionem em países em desenvolvimento por períodos de 3 a 10 meses. Desde 1985, quase 400 professores universitários já emprestaram os seus talentos a estabelecimentos de ensino de nações em desenvolvimento.
Pobreza em Portugal
De acordo com os dados disponíveis, cerca de 20 por cento da população portuguesa encontrava-se em 2001 em risco de pobreza (15% na UE). Os valores apresentados são calculados após ter em conta o efeito da actividade redistributiva do Estado, que se estima atenue o risco de pobreza em Portugal em 4 pontos percentuais. De facto, com base no rendimento sem ter em consideração as transferências sociais, estima-se que 24% da população se situaria abaixo da linha de pobreza.
Portugal regista a maior assimetria na distribuição dos rendimentos da EU. Portugal observou em 2001 a mais acentuada desigualdade da distribuição do rendimento (37%), medida pelo coeficiente de Gini, quando comparado com os parceiros comunitários. Portugal é seguido pela Espanha e Grécia (33% em ambos) e ainda pelo Reino Unido (31%). A maior equidade, traduzida por este indicador, observa-se na Dinamarca (22%), Áustria, Finlândia e Suécia (24%), estimando-se para a globalidade da UE15 um coeficiente de 28%. (www.ine.pt)
Hoje
- 2,7 biliões de pessoas vivem com menos de dois dólares por dia - 600 milhões a um bilião sofrem de desnutrição - 25 mil morrem por dia de fome - 1,2 biliões não tem água potável - 1 bilião de pessoas vivem em favelas (1/6 da população mundial) - 2 biliões (1 em 3) não sabem ler nem escrever - 42 milhões de pessoas são seropositivas e milhões têm tuberculose, malária e doenças infecciosas
O que o Rotary pode fazer:
Com 800 euros de doação à Rotary Foundation proporciona:
- A construção de um poço artesiano na Índia e distribuição de água potável a mais de 300 pessoas.
- Próteses para 25 deficientes físicos na Índia, no Camboja, Vietname ou em África.
- Visão a 120 pessoas após operações a cataratas
- Equipamentos para uma cozinha para um orfanato no Peru
- Material para tratamento de parasitoses e anemia a crianças carentes no Brasil
- 2000 doses de vacinas contra a Poliomielite
- A 10 famílias tornarem-se autosuficientes com recurso ao micro-crédito para programas de treino profissional e pequenos negócios
- Mensalidades e livros para 20 crianças no Quénia estudarem durante um ano
- Alimentos para duas crianças na Guatemala durante 10 meses.
A Fome no Mundo
- 840 milhões de pessoas sofrem de subnutrição crónica.
- Entre elas, 200 milhões de crianças menores de cinco anos padecem de deficiência aguda e crónica de proteínas e energia.
- Nas últimas 3 décadas, a nível mundial, a produção de alimentos aumentou a um ritmo mais rápido do que a população. No entanto, no mundo em desenvolvimento, só uma em cada cinco pessoas tem acesso ao mínimo necessário para satisfazer as suas necessidades alimentícias básicas.
- 25 mil morrem por dia de fome
Programas do Rotary: Ensinar a produzir
O conselho director do Rotary International resolveu dar alta prioridade ao combate à fome no mundo, insistindo nos projectos de assistência aos idosos e às mães com crianças pequenas. Uma das primeiras iniciativas do Rotary foi a “Semana dos Meninos e Meninas” patrocinada pelo Rotary Club de Nova York, nos EUA, em 1919. A iniciativa pioneira de oferecer merenda escolar foi a precursora dos programas de pequeno-almoço e almoço nas escolas da rede pública.
Projectos 3-H (Health, Hunger and Humanity)
Subsídios “Saúde, Fome e Humanidade” 3-H – Financiam projectos de grande porte, de um a três anos de duração, que combatem a fome, melhoram as condições de saúde ou promovem o desenvolvimento humano. Subsídios de planeamento de projectos 3-H – subvencionam actividades de planeamento conduzidas por Rotary Clubs e Distritos com a finalidade de implementar projectos 3-H de grande porte e impacto significativo.
Prioridade à Fome
O conselho director do Rotary International resolveu dar alta prioridade ao combate à fome no nosso planeta. O programa “Saúde, Fome e Humanidade” (3-H) da Rotary Foundation outorga subsídios de grande vulto para projectos internacionais que visem melhorar as condições de saúde, aliviar a fome e promover o desenvolvimento como melhoria da qualidade de vida através do aumento da capacidade de auto-suficiência.
Saúde Pública
Muitos clubes e distritos travam lutas contra a malária, tuberculose, cegueira, sarampo, raiva ou sida. No entanto, o Rotary tem consciência de que a saúde passa também pelo bem-estar psicológico.
A intervenção do Rotary na saúde pública passa por: Mais facilidade de acesso a vacinas e tratamentos, Mais correcção de lábios leporinos e membros defeituosos, Mais assistência pré-natal, Mais cataratas operadas, mais visão para quem pode voltar a ver.
Programas Pró-Paz
Programas Pró-Paz – subsidiam parcialmente conferências internacionais sobre resolução de conflitos e maneiras de fomentar o estabelecimento da paz.
Bolsistas Rotary pela paz mundial – todos os anos, cerca de 70 novos bolsistas são seleccionados para frequentarem Mestrados num dos sete Centros Rotary de Estudos Internacionais, na área da paz e resolução de conflitos.
Em 2002-03, 69 bolsistas de 30 países estudaram em sete Centros Rotary, com um investimento de mais de dois milhões de euros.




